Morreu nesta terça-feira, no Rio, 91 anos, a atriz Glória Menezes, uma das mais queridas artistas da televisão brasileira. A informação foi confirmada pelo secretário da família, Tadeu Lima. Segundo ele, ela estava em casa.
Glória Menezes gostava de brincar que seu nome real não era exatamente “um nome, mas uma coisa”: Nilcedes Soares de Magalhães. Nilcedes, esclarecia, era a junção das sílabas iniciais dos nomes de seus pais: Nilo e Mercedes. Resultado: “Tive que trocar. Resolvemos botar Glória, porque Glória é Glória em qualquer idioma. E Menezes, por causa das minhas raízes portuguesas e porque completa 13 letras. Dá sorte”, dizia.
Gaúcha de Pelotas, nascida em 19 de outubro de 1934, Glória transferiu-se com a família para São Paulo aos 6 anos. Na adolescência, já apaixonada pelo palco, começou a cursar a Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo – onde montou um grupo amador, o Jovens Independentes. Logo em seu primeiro espetáculo, em 1959, ganhou o prêmio de Atriz Revelação num festival de teatro amador promovido pelo diretor Antunes Filho
Com crescente demanda de trabalho, ela achou mais prático largar a faculdade. Naquele mesmo ano de 1959, estreou na TV, na novela “Um lugar ao sol”, da Tupi – e ganhou novo prêmio. Já em 1960, Antunes Filho a convidou para a peça “Feiticeiras de Salém”, outro marco em sua carreira não só por ter lhe rendido outro prêmio de Atriz Revelação, mas principalmente porque foi nos bastidores do espetáculo que entrou em cena, para o resto da sua vida, o jovem ator Tarcísio Meira, de 25 anos.
— Estava ensaiando a peça “As feiticeiras de Salém” e, de repente, passou aquela coisinha linda. Eu falei: “O que é isso?” Um tempo depois, fomos chamados para fazer um teleteatro, “Uma Pires Camargo” (1961) e ficamos amigos — relembraria Tarcísio, em entrevista ao GLOBO, já em 2015. — Quando ela lançou o filme “O pagador de promessas” (1962) em Cannes, mandei flores e um cartão escrito “volte, volte, volte”.






